Prática textual I

Escrita Criativa

07/03 e 20/06

2as. feiras – das 16h30 às 18h30 - Carga horária: 32h

O Curso visa promover práticas de uma “arqueologia interior” com vistas à descoberta de potencialidades para a escrita criativa, ainda que sob camadas de sedimentos acumulados pela ação da família, escola, socialização e barreiras de toda ordem. Concomitantes a isso, análises das produções textuais – do aluno e de outros autores – proporcionarão contatos com as boas ferramentas e métodos da escrita: a verossimilhança, o diálogo, as vozes narrativas, os personagens, o espaço, o tempo, sempre na busca de uma voz literária própria.

O público-alvo e as particularidades do curso

Eis uma situação bastante comum: solicitam-nos um texto criativo, algo fora dos clichês, e nos sentimos totalmente bloqueados, embora nossa imaginação pareça fervilhar.

Acontece que expor ideias fora dos padrões é uma ousadia, uma espécie de desnudamento, e o desnudamento não é para quem aprendeu, desde jardim da infância, a pintar a maçã direitinho, nem um só tracinho  fugindo ao contorno pré-estabelecido.

Não terá sido por razão muito diversa que uma paciente de psicanálise, citada por Alice Miller, descreveu assim os seus dias infantis (que continuavam iguais, na idade adulta): Eu vivia numa casa de vidro, onde minha mãe podia sempre olhar. Todavia, numa casa de vidro, você não pode ocultar nada sem ser percebido, a não ser que você esconda enterrando; e, aí, nem você pode ver o que escondeu.

A proposta de nossa Prática é criar pontes entre o que está aprisionado em alguém e a ação libertadora de escrever; é favorecer insights, é oportunizar a redescoberta do continente original que é cada um dos participantes.

Para tanto, faremos uso de técnicas e exercícios buscados em autores nacionais e estrangeiros - todos com sérias e largas trajetórias –  e adaptados a cada situação concreta

No decorrer dos encontros, os envolvidos – cada um em seu tempo e grau – vislumbrarão o caminho que leva ao fascinante mundo da Literatura. E nele, seja como escritor, seja com um leitor mais qualificado, o resultado final será sempre positivo.

Exemplos

Como se sabe, o subtexto, o não-dito é um elemento básico da Literatura (maiúscula, assim mesmo!). Quando dizemos demais, subestimamos o leitor; quando dizemos de menos, acabamos por superestimá-lo. Além do mais, no âmbito psicológico é um elemento de adesão do leitor, pois ele entra na história com suas experiências e expectativas.
Certa vez, tive a ocasião de realizar pequeno curso com Marina Colasanti, grande escritora brasileira. Ela disse o que, para mim, na época, foi uma revelação: as piadas, as anedotas são as narrativas que mais subtexto apresentam. Por isso, só os inteligentes e bons leitores compreendem uma piada...

O que alcançar, através da articulação de módulos práticos e teóricos

  • A descoberta de suas potencialidades criativas.

  • Reconhecimento sua voz literária.

  • A incorporação e aplicação das ferramentas e métodos da escrita.

  • Criação de textos com determinados objetivos.

  • Mostrar-se capaz de criar livremente, com voz própria.

Programa:

Bloco 1 – O público-alvo e as particularidades do curso. Exemplos e primeiros exercícios.

Bloco 2 – Experimentando a arqueologia interior: em busca da brasa que ainda queima/arde.

Bloco 3 – Libertando-se dos clichês / lugares-comuns. A verossimilhança.

Bloco 4 – Ousando mais: operando com o improvável, com o quase-impossível.

Bloco 5 – Quando o menos é mais. A difícil simplicidade. A leitura crítica.

Bloco 6 – O repouso do texto. O despertar: retomada, sempre, em busca da perfeição possível.

Bloco 7 – Descobrindo o narrador: é ele que conta por nós.

Bloco 8 – Construindo um personagem em 3D: o exemplo de Mario Vargas Llosa.

Bloco 9 -  O diálogo: como e quando usá-lo.

Bloco 10 – Uma revisão: conseguimos encontrar nossa voz literária?

Orientadora:

Valesca de Assis

Graduada em Filosofia pela  UFRGS e especialista em CIÊNCIAS DA EDUCACÃO pela mesma Universidade. Estreou na Literatura em 1990, com A valsa da medusa. A seguir, teve publicados A colheita dos dias, O livro das generosidades, Harmonia das esferas, Todos os meses, Diciodiário, Um dia de Gato, Vão pensar que estamos fugindo, A ponta do silêncio, Bichos e Coleções, Caderno de Histórias. Prêmios mais importantes: Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) 2000: revelação de autor, Prêmio Especial do Júri da União Brasileira de Escritores, 2000; Prêmio Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores 2003/ Crônica; Troféu Palavra Viva/2010/ Sintrajufe-RS; Prêmio AGEs/ Livro do Ano: Infantil/2011; Prêmio Ages Livro do Ano 2017/ Narrativa longa. A colheita dos dias foi editada em Portugal, em 2014, pela Editora Abysmo, de PATRONA da 63ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE, em 1917.

Bibliografia Básica

  • BONIFÁS, Cécile et ONZE, Sébastien – Écrire sa vie. França: MANGO, 2008

  • GOLDBERG, Nathalie – Escrevendo com a alma. São Paulo: Martins Fontes, 2008

  • SENA-LINO, Pedro – A minha vida num livro. Portugal: Porto Editora, 2010

  • VARGAS-LLOSA – Cartas a um jovem escritor. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006

 

Outras obras serão vistas, de acordo com os primeiros resultados.

As obras acima não precisam ser compradas.     

 
 

Poesia I

07/03 e 20/06

2as. feiras – das 19h30 as 21h30 | Carga horária: 32h

O curso pretende aproximar os alunos do universo da poesia, alternando teoria e  prática poética, exercitando simultaneamente a sensibilidade do olhar e da escuta - por meio da leitura - , e da escrita - por meio do fazer poético e do entendimento dos seus elementos constituintes, como, por exemplo, as imagens, as metáforas, o ritmo, a metrificação.
 

Ao mesmo tempo em que os alunos conhecerão as transformações da poesia através dos tempos, desde a antiguidade clássica até a poesia contemporânea, também serão levados a refletir sobre a conexão do poeta com o mundo, assim como a sua particular relação com a palavra. O objetivo é construir com os alunos noções favoráveis à apreciação estética, e também estimular a criatividade e a escrita de poemas.

Tópicos abordados

1) A poesia através dos tempos
2) O poema e seus elementos
3) Liberdade e formas fixas
4) Os limites entre Poesia e Prosa
5)O poeta e o mundo
6) O poeta e a palavra
7) Poesia visual
8) A Poesia e outras forma artísticas

Orientador:

Jorge Amaral

Formado em Letras (UFF), mestre e doutor em Literatura Brasileira (UFRJ).  Pesquisador da obra de Arnaldo Antunes, da poesia concreta e da palavra cantada. É também pesquisador da literatura brasileira ligada às questões raciais.
Ministra cursos de Poesia Visual e Contemporânea.
Graduado em Composição pelo Conservatório Brasileiro de Música, é compositor de música erudita experimental e eletroacústica.
É Professor do Conservatório Brasileiro de Música.

Bibliografia Básica

  • ANTUNES, Arnaldo.  40 escritos. Organizado por João Bandeira. São Paulo: Iluminuras, 2000.

  • ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: Editora 34, 2015.

  • BANDEIRA, Manuel. “A versificação em Língua Portuguesa”. In: _________Seleta em prosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

  • BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 8 ed. São Paulo: Hucitec, 1997.

  • BILAC, Olavo; PASSOS, Guimaraens. Tratado de versificação. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1905.

  • CAMPOS, Augusto. Verso reverso controverso. 2 ª ed. São Paulo: Perspectiva, 1988.

  • CAMPOS, A.; PIGNATARI, D.; CAMPOS, H. Mallarmé. 3 ed. São Paulo: Perspectiva, 1991.
    __________.; __________.; __________. Teoria da poesia concreta – textos e manifestos 1950-1960. 4 ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2006.

  • C NDIDO, Antônio. Estudo analítico do poema. 3ª ed. São Paulo: USP, 1996.

  • CÍCERO, Antônio. Finalidades em fim. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

  • JAKOBSON. O que fazem os poetas com as palavras. Colóquio/Letras, n. 12. Lisboa, 1973

  • LYRA, Pedro. Conceito de poesia. São Paulo: Ática, 1986.

  • MENEZES, Philadelpho. Poética e visualidade: uma trajetória da poesia brasileira contemporânea. Campinas: Ed. Unicampi, 1991.

  • POUND, Erza. ABC da literatura. Tradução por Augusto de Campos de José Paulo Paes. 3. ed. São Paulo: Cultrix. 1976.

  • SECCHIN, Antonio Carlos. Percursos da poesia brasileira: Do século XVIII ao século XXI. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.

  • WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. In: Os pensadores. Tradução de José Carlos Bruni. Seleção de textos por Pablo Rubén Mariconda. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

Romance I

17/3 a 14/7

5as. feiras – das 19h30 às 21h30 | Carga horária: 32h

O curso pretende mergulhar no processo criativo da prosa de ficção, interagindo com a teoria e a prática do romance. Os alunos entrarão em contato com a trajetória histórica do romance, entendendo as principais noções do romance tradicional, moderno, pós-moderno e contemporâneo, assim como farão a leitura de ensaios de referência a respeito desse gênero, ao mesmo tempo em que darão os primeiros passos na escrita do romance. Na prática, trabalharemos os fundamentos de enredo, personagens, entre outros aspectos da narrativa, de acordo com os capítulos apresentados pelos alunos. A busca da voz narrativa pessoal é um dos principais objetivos do curso, que dá particular atenção ao estilo e ao universo temático de cada aluno-escritor.


A proposta é entrar em contato com os principais elementos da ficção e a  sua articulação dentro de um romance, como personagens, enredo, espaço, tempo, ritmo, narrador e tema. O foco é o aprimoramento e a construção do campo ficcional. Como se estrutura uma ideia? Como se desenvolve os personagens? Como se escolhe o narrador e o ponto de vista? A partir dessas questões, serão feitas leituras de referências, de ficção e não-ficção, além da conversa sobre os projetos de cada aluno e das leituras de seus textos.

Programa:

  • O romance através dos tempos: romance tradicional, moderno, pós-moderno e contemporâneo

  • A narrativa e seus elementos.

  • A construção do universo ficcional.

  • Linguagem descritiva, informativa, narrativa.

  • Coerência, imaginação e lógica interna da ficção.

Orientadora:

Claudia Lage

Claudia Lage nasceu no Rio de Janeiro, é escritora e roteirista. Formada em Teatro pela UNIRIO, em Letras pela UFF e mestre em Literatura pela PUC-Rio, é autora do livro de contos A pequena morte e outras naturezas e do romance Mundos de Eufrásia, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010. Em 2013, lançou o livro Labirinto da palavra, com ensaios-crônicas sobre literatura e criação literária, que, em 2014, recebeu o Prêmio de Literatura de Brasília e foi finalista do Prêmio Portugal Telecom. Como roteirista, trabalhou na TV Globo e na Conspiração Filmes, entre outras produtoras. Autora da telenovela Lado a Lado – Prêmio Emmy Internacional 2013.Ministra cursos de roteiro e criação literária no Rio de Janeiro.

Bibliografia Básica

  • A arte do romance – Milan Kundera

  • Ensaios sobre literatura – George Lucács

  • A ficção moderna – Virginia Woolf

  • Poética de romance – Matéria de carpintaria, de Autran Dourado

  • A Personagem de Ficção - de Antonio Candido, Anatol Rosenfeld e Décio de Almeida Prado

  • Formas Breves - Ricardo Piglia

  • A teoria do túnel – Julio Cortázar

  • A ficção como cesto – Ursula K. Le Guin

  • A descoberta do mundo – Clarice Lispector

  • O foco narrativo – Ligia Chiappini Moraes

  • A personagem – Beth Brait

  • Carta as escritoras do terceiro mundo – Gloria Anzaldua

  • O narrador. Walter Benjamin.

  • Cartas exemplares – Gustave Flaubert

  • Teoria, crítica e criação literária: O escritor e seus múltiplos – Evelina Hoisel.

  • Escrever – Marguerite Duras

  • A origem dos outros – Toni Morrison

 

 

Oficina do conto I

10/03 e 07/07

2as. feiras – das 19h30 as 21h30  | Carga horária: 32h

Familiarizar o aluno com os conceitos de gênero literário e observar o conto sob este prisma: um gênero literário, tal como poesia, teatro, romance e ensaio. Expor as tentativas, já clássicas, de se mostrar como funciona este tipo de narrativa. O que um conto precisa ser para ser um conto? O aluno conhecerá o conto fantástico e o realista pelas mãos de autores em geral brasileiros e latino-americanos. Conhecerá também o que se chama, hoje, a narrativa breve: o miniconto e o nanoconto.
Por fim, entendendo-as como ferramentas, o aluno manipulará as categorias da ficção e as formas do discurso. O caráter prático do curso será permanente, com exercícios breves em sala (por compartilhamento de tela) e outros mais elaborados para casa — expostos na aula seguinte, quando haverá análise, sugestões e correções dos textos por parte de todos. A ideia é debater cada linha e lutar por cada vírgula.

Tópicos:

1. A FOGUEIRA — a tradição oral, o narrador e os ouvintes
2. AS DUAS HISTÓRIAS — uma história dentro da outra
3. A REALIDADE POR TRÁS DA REALIDADE — o fantástico ainda mais realista
4. AS MIL E UMA HISTÓRIAS — os pequenos grandes textos da brevidade
5. O PÉ ATRÁS DA ESCRITA — quem conta, quem vive e como vive

Programa:

1. Exposição do texto “O narrador”, de Walter Benjamin: os inícios da arte de narrar.
2. O que pode ser e como funciona o conto: as teorias de Ricardo Piglia, Edgar Allan Poe e Julio Cortázar quanto aos contos clássicos e modernos.
3. O Fantástico e o Realismo: as noções de tempo e fatalidade no conto fantástico; as armadilhas do conto realista.
4. Quantas histórias cabem num conto mínimo? Leiturinhas e criação com o miniconto e o nanoconto.
5. Categorias da ficção (foco narrativo, teoria da personagem, enredo, descrição e tempo), bem como formas do discurso (discurso direto, indireto e indireto livre).

Orientador:

Juva Batella

Escritor e doutor em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Autor dos livros: O verso da língua (1995); A cabine & O trânsito (2002); Confissões de um pai doméstico (2003); Quem tem medo de Campos de Carvalho? (2004); O menino que guardava as palavras na barriga (2006); Em busca do amor perdido (2007); O labirinto da cabeça da Matilde (2007); O verso da língua (edição portuguesa, Editorial Presença, 2009); A língua de fora (2011); Do gato Ulisses as sete histórias (2015); Ubaldo (2016); A língua de fora (edição portuguesa, Penguin Random House, 2017). Foi crítico colaborador do Caderno Ideias, Jornal do Brasil, e do Jornal de Letras, Artes e Ideias – JL (Lisboa).

Bibliografia Básica

  • BENJAMIN, Walter. “O narrador — observações sobre a obra de Nikolai Leskov”. In: Os pensadores – Benjamin, Habermas, Horkheimer, Adorno. Traduções de José Lino Grünnewald, et. al. São Paulo, Ed. Abril Cultural, 2ª ed., 1983.

  • CANDIDO, Antonio. “A personagem do romance”. In: CANDIDO, Antonio et alli. A personagem de ficção. Coleção Debates. São Paulo, Perspectiva, 1976.

  • CORTÁZAR, Julio. “Conto fantástico: O TEMPO”, “Conto fantástico: A FATALIDADE”, “O conto realista”, in Aulas de Literatura – Berkley, 1980. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2015.

  • __________. “Edgar Allan Poe: contista“, “Alguns aspectos do conto”, “Do conto breve e seus arredores”, in Valise de Cronópio. Trad. Davi Arrigucci Jr. e João Alexandre Barbosa. Org. Haroldo de Campos e Davi Arrigucci Jr. São Paulo, Perspectiva, 1983.
    PIGLIA, Ricardo. Formas breves. São Paulo, Companhia das Letras, 2004.

     

Bibliografia complementar:

  • BARTHES, Roland. “A morte do autor”, in: O rumor da língua, trad. Mario Laranjeira. São Paulo: Brasiliense, 1988.

  • BOOTH, Wayne C. The Retoric of Ficction. Chicago & London: The University of Chicago Press, 1961.

  • D’ONOFRIO, Salvatore. “Elementos estruturais da narrativa”. In: __________. Teoria do texto — prolegômenos e teoria da narrativa. 2ª ed. São Paulo: Ática, 1999, p. 53-104.

  • FORSTER, Edward M. Aspectos do Romance. Trad. Maria Helena Martins. São Paulo: Globo, 1998.

  • FRIEDMAN, Norman. “Point of View in Fiction”, in P. Stevic. The theory of the novel, New York, The Free Press, 1967.

  • GOTLIEB, Nádia Battella. Teoria do Conto. São Paulo, Ática, 2006.

  • POUILLON, Jean. O tempo no romance, São Paulo, Cultrix, 1974.

  • REUTER, Yves. “Os principais componentes das narrativas”. In: __________. Introdução à análise do romance - Leitura e Crítica. Trad. Angela Bergamini, Milton Arruda, Neide Sette, Clemence Jouët-Pastré. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

  • RODRIGUES, Elizete; SOUZA, Vanderlei de; SOUZA, Marlene de Almeida Augusto de. “O poder atômico do miniconto: análise de narrativas ultracurtas divulgadas em concursos literários na Internet”. Revista Letras Raras, ISSN: 2317-2347, Vol. 2, nº 1, 2013.

  • SARAMAGO, José. “O autor como narrador”. Revista Cult — Revista Brasileira de Literatura, ano II, nº 17, dez. 1998.

  • SEIXO, Maria Alzira. “Romance, narrativa e texto — notas para a definição de um percurso”. In: ROSSUM-GUYON, Françoise Van; HAMON, Phillipe & SALLENAVE, Danièlle. Categorias da narrativa. Lisboa: Coleção Vega Universidade, s/d.

  • WOOD, James. “Personagem” (p. 93-124). Como funciona a ficção. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: SESI-SP Editora, 2017.

 

 

Oficina da crônica I

10/03 e 07/07

5as. feiras – das 20h as 22h -  | Carga horária: 32h

O curso está dividido em duas partes. Na primeira, envereda pela História da crônica no Brasil, com o estudo de autores de cada uma das três fases propostas. Na segunda, o orientador propões aos alunos a produção de crônicas com pseudônimos para serem publicadas em um blog da Estação das letras. Durante a semana, a aula continua de forma assíncrona, com as críticas aos textos publicadas nos comentários também sob pseudônimos.

Programa:

1. História da crônica no Brasil. Os fundadores (1852 a 1897): José de Alencar, Machado de Assis e Francisco Otaviano. A Belle Époque (1897 a 1922): João do Rio, Olavo Bilac e Lima Barreto. Os modernistas (1922 a 1945): Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Cecília Meireles. Os sabiás (1945 a 1972): Rubem Braga, Vinícius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Sergio Porto e José Carlos Oliveira. Os Contemporâneos (1972 até os dias atuais): autores diversos. 

2. A crônica como gênero literário: conceitos, teorizações, sistematizações críticas. 

3. A crônica como gênero jornalístico: conceitos, teorizações, autores. 4. A prática da escrita no blog.

Orientador:

Felipe Pena

Doutor em literatura pela PUC, com pós-doutorado em semiologia da imagem pela Sorbonne III,  é professor de roteiro na UFF,  autor de 16 livros  e  diretor do documentário "Se essa Vila não fosse minha".   Foi Visiting Scholar na New York University,   sub-reitor da Universidade Estácio de Sá,   diretor da Rede Globo  e comentarista do Estúdio I, na Globonews. Escreve semanalmente no Jornal Extra.

Bibliografia Básica

  • ANDRADE, Carlos Drummond de; et al. Elenco de cronistas modernos. 21ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.

  • ARRIGUCCI JUNIOR, Davi. “Fragmentos sobre crônica”, in: Enigma e comentários. SP: Companhia das Letras, 1987.

  • CANDIDO, Antonio. “A vida ao rés do chão”, in: Para gostar de ler – Crônicas 5. São Paulo: Ática, 1981.

  • CEGALLA, D. P. A crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp/Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, 1992.

  • MACHADO, Anna Rachel e colabs.; ABREU-TARDELLI, Lília Santos e CRISTOVÃO, Vera Lúcia Lopes (orgs.). Linguagem e educação – O ensino e a aprendizagem de gêneros textuais. Campinas: Mercado das Letras, 2009.

  • MASSI, Augusto. Os Sabiás da crônica. Ed. Autêntica. SP. 2021

  • PENA, Felipe. Jornalismo Literário. Ed. Contexto. SP. 2005

  • PENA, Felipe. Crônicas do Golpe. Ed. Record. RJ. 2017.

  • PEREIRA, W. J. O. . Crônica: a arte do útil e do fútil. João Pessoa: Editora da UFPB, 2015.

  • SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As 100 melhores crônicas brasileiras. RJ. Ed. Objetiva. 2007.

 

Literatura para crianças e jovens I

10/03 e 07/07

2as. feiras – das 19h30 as 21h30  | Carga horária: 32h

Este curso tem por objetivo apresentar a literatura infantojuvenil através da prática de exercícios de textos e reflexões sobre o tema e a linguagem. Desde a pergunta inicial: “existe uma literatura específica para crianças e jovens?” pretende-se trabalhar algumas características próprias  do gênero entrelaçando o estudo dos textos junto com as imagens.  Em cada aula será pedido que o aluno apresente um pequeno texto escrito em casa.

Programa:

Mês 1: O que é literatura infantojuvenil? De Lobato até a literatura contemporânea. Discussão sobre juízo de valor e a didatização da linguagem nos livros para a infância.
Mês 2: O lúdico e o lírico na literatura infantojuvenil. O brincar como parte da linguagem.Vamos analisar  como se perfaz o jogo poético no texto e na sua relação com as ilustrações.
Mês 3: Como criar um personagem? E como os personagens se relacionam entre si na construção da narrativa?  Estudo da estrutura das histórias.
Mês  4: Laboratório em grupo- discussão dos textos apresentados e revisados após as discussões durante o curso. Apresentação de um projeto para futuro desenvolvimento.

Orientadora:

Marcia Cristina Silva

Doutora em literatura brasileira pela UFRJ com a tese Retratos da infância na poesia brasileira publicada pela editora Unicamp em 2017. Autora dos livros infantis: O colecionador de segredos (Editora Brinque-book, 2004), Violeta (Editora DCL, 2006), Olhos de violino (Editora FTD, 2008), O lugar do meu amigo ( Escarlate- Brinquebook, 2021).  Vencedora do Prêmio CEPE 2021 na categoria infantil.  Pós- doutorado na PUC do Rio de Janeiro sobre a poética dos livros para a infância concluído em 2021.

Bibliografia Básica

1. AGAMBEN, Giorgio. Infância e história. Trad. Henrique Burigo. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2008.
2.  BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Paneta, 2003.
3.  CARRIÓN, Ulises. El arte nuevo de hacer libros. In: El arte de los libros de artista. Madri/ Nova York: Turner/ Distributed Art Publishers, 2003.
4. CARROL, Lewis. KUSAMA Yayoi. Aventuras de Alice no país das maravilhas Rio de Janeiro : Ed. Globo 2014.
5. COHEN, Thiago, TANTO- criações compartilhadas & MACHADO, Neto. Pequena coleção de insignificâncias.  Bahia: Conexões criativas, 2019
6. DERDYK, Edith. Entre ser um e ser mil- o objeto livro e suas poéticas. São Paulo: Editora Senac, 2013.
7. FREITAS, Tino e MORICONI, Renato. Os invisíveis. Rio de Janeiro: Casa da palavra, 2013
8. HUIZINGA, Johan. Homo ludens. São Paulo: Perspectiva, 2004.
9. HUNT, Peter. Crítica, Teoria e Literatura Infantil. São Paulo: Cosac Naify, 2010.
10. JEFFERS, Oliver.  O coração e a garrafa. São Paulo: Salamandra 2010.   
11. LIAO, Jimmy. Uma noite muito, muito estrelada. São Paulo: Edições SM, 2016.
12. LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Cia da letrinhas, 2019.
13. KOMAGATA, Katsumi.  Little tree/ Petit arbre . França: Coédition One Stroke, 2009.
14.  LEE, Suzy. Espelho. São Paulo: Cosac Naify 2003.
15. ____. A trilogia da margem. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
16. LINDEN, Sophie Van der. Para ler o livro ilustrado. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
17. MORAES, Odilon, HANNING, Rona e PARAGUASSU Maurício. Traço e Prosa. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
18. NEVES, André. Obrigado. São Paulo: Pulo do Gato, 2020.45.
20. NODELMAN, Perry. Words about pictures: The Narrative Art of Children's Picture Books. Georgia: University of Georgia Press, 1990.
21. PAES, José Paulo. Poemas para brincar. 2ª- ed. São Paulo: Ática, 1991.
23. RAMPAZO Alexandre. Pinóquio- o livro das pequenas verdades São Paulo: Boitatá-2019.
24. RODARI, Giani. A gramática da fantasia. São Paulo: Summus, 1982.